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_ 02/08/07
_ mark shepard


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Um urbanista de espaços transitórios com alta densidade informacional


Mark Shepard tem escuta apurada em se tratando de sons de encruzilhadas imaterias. Interessado nas possibilidades arquitetônicas resultantes da crescente incrustação de tecnologias de rede nos espaços urbanos, Shepard é um dos raros artistas ligados ao universo das mídias móveis que se concentra na criação de arquiteturas sonoras. O Telemig Celular Arte.Mov tem o prazer de lançar mundialmente a versão para mídias móveis do TSG Toolkit.
As palavras som e ambiente combinam-se, no imaginário coletivo, como ingredientes infalíveis para criar um clima atraente. Mesmo que, no trabalho de Mark Shepard, ambiente tenha um sentido particular, ligado aos domínios da arquitetura e do urbanismo, uma boa síntese de sua pesquisa é dizer que ele se dedica a construir ambientes com som. O interesse nas relações entre espaço e áudio surge, para Shepard, no contexto de uma aproximação entre cinema e urbanismo. Ele explica em entrevista a Régine Debatty, do blog We-make-money-not-art:

“O que começou como um interesse ingênuo em trabalhar com tempo e duração como “materiais” (qualidades do som, movimento) levou a questões mais amplas a respeito de como a percepção é condicionada por meio do aparato tecnológico. Eu estava interessado em condições de vacância como situações limite da condição urbana, e os desafios envolvidos na modelagem de forças que produzem esta condição /.../ Mover entre filme e arquitetura (e, por extensão, cinema e urbanismo) forneceu um meio de analisar e criticar as técnicas pelas quais o ambiente construído é projetado e formatado, e em troca, formata aqueles que o habitam”.


Unfobox: protótipo para pavilhão de arquitetura informacional para a Berlin Contemporânea. O projeto frusta por meio de pausas, paradas e interrupções os movimentos mentais implícitos no cinema, na televisão, na publicidade e no turismo
  
O passo seguinte foi o trabalho com mídias digitais, no estúdio que cria com Carlos Tajeda, dotsperinch. A experiência começou como suporte a artistas, mas rapidamente resultou no estabelecimento de uma rede de artistas, arquitetos, programadores e tecnológos engajados no desenvolvimento de ambientes novas mídias para organizações não lucrativas envolvidas com arte. Entre os projetos desenvolvidos pela dotsperinch está o Sonic Memorial. É um projeto dedicado a recuperar a história do World Trade Center por meio de fragmentos sonoros que pode ser acessados a partir do Browser criado para o projeto.

Nesta época, Shepard se envolve com o projeto cross-media Crossing The BLVD, de Warren Lehrer e Judith Sloan. O projeto tem por objetivo documentar e retratar as vidas, imagens, sons e histórias invisíveis de imigrantes recentes e refugiados que vivem no Queens, em Nova Iorque. Shepard acredita, mais uma vez segundo a entrevista para o blog We-Make-Money-Not-Art, que o trabalho foi “um bom pretexto para investigar tanto direções conceituais em termos de design quanto questões razoavelmente pragmáticas relativas ao desenvolvimento de arquivos digitais e sistemas de conteúdo aberto.
 

Os fluxos migratórios recentes, que fazem de Nova Iorque um dos lugares de maior diversidade cultural do mundo, estão registrados nos diversos formatos de Crossing the BLVD

Em Mitosis: Formation of Daughter Cells, instalação de A. M. Hoch para o Beall Center for Art and Technology, a investigação de cinemas habitáveis, envolvendo a integração de som, imagem em movimento e um observador móvel criado com sensores de proximidade, atuadores mecânicos e microcontroladores embutidos, leva a um universo mais próximo ao do Tactical Sound Garden. Em entrevista ao Beall Center, incluída na documentação de Mitosis, Shepard explica como o projeto usa tecnologia que “está empilhada múltiplos domínios físicos e virtuais”, em que o desafio foi criar “uma infra-estrutura eletrônica escondida que apresenta uma história bastante complexa em termos palpáveis, através da integração cuidadosa e deliberada de elementos de pintura, escultura e tecnologias digitais”.


Mitosis usa a memória celular, codificida, de uma família,para explorar os mecanismos sociais e biológicos que modelam os seres humanos

Em certo sentido, o TSG Toolkit lida com procedimentos equivalentes, ainda que deslocados do universo da visualidade para o da sonoridade. Mas o próprio Shepard adverte: “meu trabalho atual é mais preocupado em tratar a computação como um ambiente do que vê-la como uma ferramenta ou um conjunto de técnicas. Quando a inteligência computacional fica embutida (ou distribuída) no ambiente construído, as bases da arquitetura e do urbanismo são alteradas radicalmente”.

Este é o problema central de Tactical Sound Garden, que começou em 2004 como um mashup de idéias. Para Shepard, o TSG expande idéias que já estavam presentes no Sonic Memorial, no que toca à criação de ambientes sonoros participativos. Mas também diáloga com projetos locativos, como The Rosemary Initiative, que explorou os efeitos de tecnologias de rastreamento na interação social. Por meio de encenações, o trabalho discute a influência de tecnologias de mapeamento e análise, numa época de ataques terroristas transmitidos ao vivo pela TV.


O cliente de simulação quad-tree, aplicativo que faz parte do sistema Rosemary, composto de etiquetas RFID, servidor locativo e cliente capaz de mapear nós de rede: o projeto põe a prova as condições de desenvolvimento de redes sociais em ambientes panópticos

Antes de tratar mais detalhadamente do principal projeto de Mark Shepard, que terá sua nova versão para mídias móveis lançada com exclusividade pelo Telemig Celular Arte.Mov, vale lembrar que a atuação de Mark Shepard não se restringe ao desenvolvimento de projetos criativos. Ela organizou o simpósio Architecture and Situated Technologies, com Omar Kahn e Trebor Sholz, que contou com a participação de vários nomes conhecidos no univeros dos debates sobre mídias portáteis e distribuídas, como Eric Paulos, Usman Haque e Lucy Suchman.

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