Revista
_ 27/05/07
_ mídias móveis 2007


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Panorama do audiovisual em mídias portáteis e debates sobre o que extrapola a tela pequena


Na segunda edição do Telemig Celular arte.mov o público vai conhecer um espectro amplo da produção audiovisual para mídias portáteis, e tendências emergentes que investigam formatos de produção que desafiam os limites da tela pequena.
É significativo fomento oferecido pelo Sundance Film Institute, em parceria com a GSM Association e a Roamware, para cinco diretores independentes norte-americanos desenvolverem filmes para celular. A iniciativa demonstra o interesse dos setores mais convencionais da indústria audiovisual por tecnologias até então relativamente restritas aos circuitos especializados. Além disso, a proposta original é dos filmes serem distribuídos apenas para os freqüentadores do festival. Claro que eles podem multiplicar por torpedo (e já estão disponíveis no YouTube, ver Bônus Tracks 2.007). Mas não era essa a proposta e o fato revela a defasagem entre a indústria do cinema e o audiovisual na cultura de rede.

O Sundance faz avançar um processo que surge quase simultaneamente em festivais de perfis diversos (Festival de Curtas de Berlim, Festival de Curtas de São Paulo, Festival de Estocolmo e Pocket Films). A diferença é que os filmes comissionados pelo Sundance Film Institute envolvem diretores do cinemão e restrigem a distribuição às telas pequenas. Até então, os filmes para celular vinham sendo produzidos num circuito mais especializado. Na maioria das vezes, eles não eram distribuídos apenas por celular, mas também publicados na Internet.

Ao aproximar a maior e a menor das telas existentes, o Sundance estabelece um paradoxo que indica o estado atual da produção audiovisual com e para mídias portáteis, dividida entre a investigação das possibilidades emergentes e o uso de aparelhos apenas como câmeras mais leves ou telas menores. Apesar da qualidade de vários filmes feitos neste contexto, os trabalhos que melhor problematizam os caminhos da cultura contemporânea são aqueles que investigam possibilidades emergentes (o que quase sempre significa desafiar os formatos tradicionais de exibição e, muitas vezes, lidar com materiais invisíveis).

É neste contexto que a segunda edição do Telemig Celular arte.mov propõe o debate sobre um espectro mais amplo de questões, estabelecendo elos entre a produção audiovisual em mídias portáteis e projetos que debatem sua mobilidade, ubiqüidade e locatividade. São características que fazem de celulares, iPods e GPS estímulos ao redesenho da forma como as pessoas se relacionam com o espaço urbano, permitindo novas formas de organização social, novos modelos de comunidade, e fomentando utopias e distopias sobre o futuro.

O iPhone e os telefones mais recentes da Nokia são exemplos de aparelhos em que mobilidade e localização integram um pacote cada vez menos centrado na conversa. São tecnologias que perturbam os modelos de comunicação em rede e até mesmo certas convenções jurídicas, na medida em que, de um lado, tornam cada vez mais estreita a distância entre empresas de comunicação e de telefonia e, de outro, rompem de forma cada vez mais ampla com os modelos de produção e distribuição estabelecidos pela indústria do entretenimento.

Trata-se de debate complexo, que se reporta uma gama variada de implicações (positivas, negativas, desconhecidas). E, certamente, é importante abordá-lo de todos os pontos-de-vista possíveis – conforme as redes ganham em complexidade, e as utopias atreladas ao surgimento da Internet se revelam ora ingênuas ora simplistas, diante de um contexto que incorpora atores dos mais diversos interesses.

Para dar conta desta diversidade de questões, o Telemig Celular Arte.Mov avança em duas direções. Diversifica a programação audiovisual, ao ampliar o número de mostras informativas, e estimula a continuidade do debate sobre as mídias locativas, como forma de diversificar a reflexão sobre a produção audiovisual para aparelhos portáteis.

Na primeira vertente, o foco é na exibição, dando continuidade à mostra do Mobile Exposure e incorporando seleções do Pocket Films e do Festival de Estocolmo. Na segunda vertente, o simpósio e o espaço expositivo oferecem um cardápio variado de artistas e intelectuais, em painel de idéias e da produção mais recente, especialmente em seu fluxo pelo ar – mídia transparente que faz circular tudo o que hoje em dia não é mais sólido e se desmancha em pacotes de bit, além de servir como sintoma de problemas cruciais da contemporaneidade, como a quantidade de poluição despejada na atmosfera e a temperatura do planeta.

As próximas edições da revista online do festival vão apresentar e aprofundar estas vertentes, por meio de dossiês com os principais artistas convidados para o festival (Antoni Abad e Preemptive Media, entre outros). Por enquanto, o público recebe um panorama da produção audiovisual mais recente em mídias portáteis. O artigo apresenta os dois universos que o festival reúne: o dos filmes feito por câmeras minúsculas e/ou para telas pequenas, e o dos projetos que exploram o fluxo de dados em redes sem fio dos mais diversos tipos.

Câmeras mais portáteis que as portáteis

O Pocket Films, festival francês que se orgulha de ter exibido mais de 800 títulos produzidos com telefone celular, acontece anualmente no Centro Georges Pompidou. O site do festival é uma amostra ampla da produção de filmes para telas pequenas. Boa parte dos chamados filme de bolso levam ao extremo (muitas vezes de forma diluída) algumas das características do vídeo digital. Com o celular dá para gravar cenas difíceis de serem registradas com outros tipos de câmera. Por isso, chamar o material audiovisual produzido com e para o aparelho é problemático. A forma como estes audiovisuais são produzidos e distribuídos é bastante diferente do padrão da industria cinematrográfica.

Tanto a história do audiovisual nos últimos quarenta anos quanto a mutabilidade dos arquivos digitais desautoriza a estabilidade dos gêneros. Além disso, as mídias portáteis lidam com  um universo particular, em que o ar é mais relevante que a tela. Por isso, é curioso como parte da produção audiovisual com celulares ignora este contexto, o que resulta em trabalhos que tentam emular em condições piores o cinema e o vídeo independente – sem  se dar conta de que eles problematizaram questões pertinentes ao contexto em que surgiram, ao invés de deslocar sem postura críticas procedimentos já estabelecidos na época que surgiram.

Pensar a produção feita para mídias portáteis a partir de formatos estabelecidos ignora que boa parte das características destes dispostivos lida com procedimentos até então inexistentes. Por isso, mesmo no caso dos trabalhos mais apegados aos formatos tradicionais, chama atenção a impossibilidade de dissociar as cenas produzidas da leveza do telefone celular, sua simbiose com o corpo e sua mobilidade (em dois sentidos, pois as mídias portáteis são ao mesmo tempo fáceis de movimentar na mão e fáceis de transportar de um lugar para outro). Neste artigo, os trabalhos que exploram estas características serão valorizados, por pesquisar formas de linguagem mais compatíveis com os dispositivos portáteis.

Um exemplo de trabalhos que surgem no diálogo, mesmo que paródico, com estas possibilidades são os enredos criados a partir de situações inusitadas, em que o travelling se torna uma forma de explorar os mínimos detalhes do ambiente. Um exemplo é Boffi Shower, de Hugo Vermandel, em que um homem se grava enquanto busca seu reflexo num estande de peças reluzentes para banheiro, ou Fragments d´um avenir lointain, de Christophe Dauder, construído de pequenos fragmentos de situações cotidianas que vão do plástico ao prosaico, em imagens que tremem no ritmo da respiração (e ela nem precisa estar ofegante para chacoalhar as objetivas menores que um polegar de boa parte dos celulares).

Trabalhos como estes estão próximos do material comum em vidoblogues e vodcasts e, em menor proporção, no YouTube (entre a grande quantidade de vídeos artesanais disponíveis no site, é possível encontrar de programas de TV cultuados a clássicos da arte do vídeo). São vídeos que registram rompantes cotidianos que há até não muito tempo a maioria das pessoas guardava em segredo por trás de olhares congelados no nada, para surpresa de interlocutores subitamente obrigados a um monólogo inesperado.

Hoje estes lances do olhar que desvia do assunto em direção às coisas mais inesperadas podem ser registrados com um simples gesto do punho bolso adentro, para sacar o celular quando o ônibus passa diante daquela paisagem sublime aos olhos de quem aperta o botão REC. Ou aquele reflexo de luz que dança sob a água turva da lagoa ao pôr-do-sol. Cenas do tipo tornaram-se tão comuns quanto os travellings que acompanham os pés do cinegrafista. Exemplos de imagens fáceis de produzir com câmeras portáteis e distribuir online, que rapidamente se tornam clicês.

Em outros casos, o baixo custo dos aparelhos torna-se estímulo para dramaturgias de um homem só, em trabalhos com estruturas típicas do cinema clássico, apesar de serem curtos e terem condições de iluminação e montagem bastante diferentes do padrão hollywoodiano. Neste sentido, o audiovisual para celular tem potencial para ser um equivalente de baixíssimo custo do cinema independente, mesmo que filmes como Sexo, Mentiras e Videotapes ainda não tenham surgido nas telas pequenas. Aliás, para muitos, a cultura digital não pode ser pensada a partir da produção de trabalhos acabados, mas sim como um fazer em fluxo e distribuído, que dificilmente resultará em livros como Guerra e Paz ou filmes como Napoleon.

Um exemplo curioso desta dramaturgia individual é L´homme qui amait lês fleurs, de Jean-Claude Taki. É uma história sobre flores e prostitutas russas que irrompem em uma vida de emoções menores que o espaço ocupado pelo trabalho na tela. Mas o que mais chama atenção, neste filme sobre a viagem psicótica de um homem comum, são certos ângulos impossíveis de serem feitos com câmeras maiores. Em algumas cenas, surge um novo tipo de subjetiva, típica de aparelhos portáteis. Não é mais o olhar do indivíduo, mas o ângulo possível pelo deslocamento de parte do seu corpo que dá o tom de certas cenas.


 
Ângulo inusitado de L´homme qui amait lês fleurs: com o celular é possível gravar imagens do ponto-de-vista de um braço que balança enquanto alguém caminha
                   
Vários filmes do tipo assumem um tom cômico que tanto pode ser relacionado com certas experiências comuns no primeiro cinema quanto com o humor dos sitcoms mais espertos. É o caso do já antigo (nestes tempos de clássicos mais instantâneos que certos tipos de macarrão) Peephole, de Damon Herriman. O filme foi exibido no 21º Primeiro Festival de Curtas de Berlim, pois estava entre os finalistas do Siemens Micromovie Award. Na etapa brasileira desta seleção, o flerte com final surpreendente no curta gravado de dentro de um ônibus por André Nogueira também explora um enredo bem humorado, com final surpreendente.

A rapidez e o humor funcionam bem, já que o usuário das mídias móveis muitas vezes usa o aparelho em trânsito ou em lugares barulhentos (conforme discutido por Giselle Beiguelman quando trata dos contextos de leitura entrópicos, em Wireless Conditions). Pensando bem, o humor funciona bem em qualquer contexto e muitos dos filmes bem-humorados feitos para celular não vão além de comprovar que tem mais gente com talento para escrever roteiros divertidos do que produtoras de cinema capazes de transformá-los blockbusters.


Em Peephole, um internauta apaixonado se irrita com a demora da musa, recém conquistada entre torpedos e teclas, para abrir a porta do apartamento e receber as flores que ele pretende entregá-la no primeiro encontro de carne-e-osso

A primeira edição do Telemig Celular Arte.Mov também exibiu sua cota de filmes que exploram o humor, o inusitado e a brevidade. Em Hilda Replicante, Kiko Goifman constrói comentário irônico sobre processos de ciborguização avant la lettre, com a nitidez das câmeras de última geração (que infelizmente não sobrevive nas exibições em celulares). O humor também dá o tom de Movietone Cara no Vidro, Dead Pixel e Caneta, mas não é predominante na seleção do festival, que abriga filmes mais experimentais, como o bom Paradas, de Rachel Castro e Hai Kai, de Alexandre Milagres, entre outras vertentes já comentadas na edição anterior desta revista online.

A diversidade de caminhos não é o único sinal de que o audiovisual feito com e para mídias portáteis pode gerar formatos maduros. No Mobile Exposure de 2005, um dos trabalhos exibidos surpreende pelo processo incomum, que resulta em composição instigante (ainda que certas sutilezas da imagem só apareçam na versão para computador, que tem o dobro do tamanho do formato para celular). Trata-se de Re_collection, de Michael Takeo Magruder. O trabalho cria, a partir de 14 segundos gravados com o SVP c500 smartphone, um mosaico de pixels em movimento. A imagem recria cena gravada no Hyde Park, em Londres. O minimalismo visual, indício de imagens ao invés de registro em detalhes, é uma boa solução para lidar com as condições de leitura nas telas pequenas. É curioso como o processo produz uma imagem além do movimento temporal produz também um movimento espacial, que surge no diálogo entre diversos pixels a cada instante.

 
Re_collection se vale da redução proposital da resolução e da profundidade de campo da imagem para criar imagens que surpreendem pela capacidade de apontar possibilidades férteis para a produção em telas pequenas

O trabalho de Michael Takeo Magruder surpreende pelo tratamento plástico diferente, num universo muito marcado pelo retrato do cotidiano na escala que a pequenas câmeras permitem. Um exemplo é Soft Boiled Eggs, de Eric Khoo, premiado na categoria “Filmes para Celular” do Festival de Estocolmo. Durante o café da manhã, em que café e pão completam o cardápio anunciado no título, as panorâmicas por detalhes do banheiro e os travelings rasantes no fogão e na mesa confirmam o uso quase unânime do celular como câmera mais portátil que as portáteis.

Há dois aspectos a serem destacados no universo do audiovisual e demais linguagens que surgem com a popularização das mídias portáteis. O baixo custo dos aparelhos estimula a democratização do fazer, pois permite produzir e distribuir fora do circuito tradicional da indústria do cinema (o que tem aspectos positivos e negativos). A miniaturização fomenta o surgimento de uma cultura de conexão entre redes físicas e digitais, estimulando um tipo de fluxo e espalhamento que escapa da dimensão do trânsito entre lugares, na medida em que pode acontecer na geografia fluída e instável das redes sem fio.


Circula no ar e só é “lido” por aparelhos portáteis


O trânsito de informação pelo ar é cada vez mais intenso, hoje em dia. Este fluxo sem peso é uma marca da cultura contemporânea (entre outros, para Nicholas Negroponte, em Being Digital, Brett Staulbam, em Data Performance, e Giselle Beiguelman, em Por uma estética da transmissão). Não se trata de opinião unânime, mas a diversidade de contextos em que ela aparece é suficiente para sustentar sua validade. E alguns dos trabalhos mais interessantes da arte atual são justamente projetos que exploram estes fluxos complexos de dados.

Trata-se de estratégia de utilização destas mídias que, ao invés de restringir os aparelhos portáteis ao paradigma câmera / tela, buscam novas formas de utilizá-los. Nem sempre o resultado encaixa nas formas convencionais de exibição (nem mesmo no circuito de galerias,  menos resistente aos formatos que fogem ao padrão contemplativo). Entender a beleza invisível dos bons projetos do tipo depende de um esforço de compreensão dos fluxos de dados que eles movimentam (e o que estes fluxos significam).

Um exemplo é PigeonBlog. O projeto de Beatriz Costa dialoga com Air, do Preemptive Media (trabalho que monitora a poluição atmosférica com dispositivos portáteis, e será apresentado em edição futura desta revista, dedicada ao grupo norte-americano). Mal foi extinto o último serviço de pombos-correio, a artista encontrou nova tarefa para os pássaros. Equipados com uma combinação de unidade GPS / GSM miniatura, um sensor eletrônico e um microprocessador, os pombos enviam informações e imagens em tempo real para o blog que dá titulo ao projeto.

Outro é Tactical Sound Garden, de Mark Shepard, um kit de ferramentas de código aberto para cultivar jardins sonoros. Trata-se de um dos poucos trabalhos com redes-sem-fio que explora o impacto da escuta em trânsito, apesar do sucesso do iPod, que tornou-se uma espécie de modelo para a distribuição de música na cultura digital. Pelo hackeamento de nós de rede sem-fio, é possível plantar sons no espaço urbano. Um engine 3-D comum em jogos de computador auxilia no mapeamento dos jardins audíveis, tecendo uma rede que conecta a cidade às camadas de informação que transitam por ela.

 Tactical Sound Garden, de Mark Shepard, busca novas formas de pensar o espaço público, em cidades com grande densidade de redes por metro quadrado

Nem todos os projetos do tipo concentram-se em elementos invisíveis, apesar dos vários trabalhos bem sucedidos no desenvolvimento de dispositivos que tornam o invisível perceptível estarem entre os mais interessantes no universo da arte atual, na medida em que nos permitem olhar de outra maneira para coisas como a poluição do ar ou a muralha da China.

Vários trabalhos que usam tecnologias portáteis capazes de registrar o movimento procuram formas de representar os dados colhidos por meio de imagens. É o caso de Coreography of Everyday Movements. O projeto de Turi Rueb, desenvolvido em parceria com In Choi, busca tornar visível, com auxílio de GPS, os movimentos que fazemos pelo ambiente construído da cidade, revelando padrões sócio-políticos e poéticos a partir do movimento dos corpos. Ou de cabspotting, desenvolvido pelo San Francisco Exploratorium.

O gesto paradoxal de conceder visualidade à informações que os olhos não percebem mas os aparelhos sentem não se restringe a projetos restritos ao uso de tecnologias portáteis. Um exemplo é The Long March, de Qin Ga. Após tatuar o mapa da China em suas costas, o artista passou a completar o desenho com o registro remoto dos movimentos da do projeto, que se deslocava pelo país de Mao a cada nova etapa. Trata-se de um tratamento poético para os procedimentos de visualização de dados de deslocamentos, modelo bastante comum que traz pouca novidade ao estado atual do uso das mídias de localização.
 

O tatuador Gao Xiang marca mais um ponto da longa marcha de Qin Ga no desenho do mapa da China em suas costas, em foto de Liu Ding (http://leoalmanac.org/gallery/locative/longmarch/index.htm)

Com tecnologia mais sofisticada, The other path, do C5, também explora o deslocamento por um caminho específico, mas apenas como ponto-de-partida. O projeto, que propõe analogias entre trajetórias geograficamente afastadas, foi criado a partir de dados GPS coletados durante trilha feita pelo grupo pela muralha da China, na primavera de 2004. Através da comparação de padrões estatísiticos, o grupo buscou encontrar, na Califórnia, o caminho mais parecido com a trajetória da Muralha da China.


The Other Path sobrepõe dados geográficos do mais diversos tipos, com objetivo de comparar padrões de trilhas análogas, na China e na Califórnia

Alguns dos projetos que exploram o par mobilidade / registro da localização geográfica, comum nos aparelhos portáteis disponíveis hoje em dia, problematizam de forma poética as informações em fluxo que circulam pelas redes cada vez mais complexas que modelam o mundo atual. São projetos que ampliam os limites do visível ou deslocam o que é possível “ver” (conforme discutido por Lev Manovich em Engineering of Vision, e Brett Staulbam, em Data Performance). Além disso, procuram problematizar o uso de tecnologias emergentes, de que ainda não se tem muitas certezas (seja dos aspectos positivos, como a mobilidade, seja dos negativos, como as novas formas de vigilância que permitem).

Ao colocar lado a lado a produção de audiovisual que tem sido desenvolvido com e para telefones celulares e trabalhos que exploram as mídias portáteis do ponto-de-vista do deslocamento que elas permitem, fica claro que se tratam de tecnologias que estão redesenhando rapidamente a cultura contemporânea, e consolidando um cultura de rede que se espalha pela cidade ao mesmo tempo em que adensa o tráfego de informações pelas vias invisíveis que nos conectam a tudo e todos, mesmo quando isto não é percebido.

(colaborou na pesquisa: Uriel Maniglia)

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mídias móveis 2007


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