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_ 08/09/06
_ lassi tassajärvi


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Da arte hacker em tempo real às comunidades de distribuição de conteúdo audiovisual


O finlandês Lassi Tassajärvi é gerente de projetos e desenvolvimento da Pixoff.net , a principal comunidade online para distribuição de audiovisual-sob-demanda e conteúdo para celulares.

Muita gente considera os games um formato emblemático para o desenvolvimento de conteúdo em mídias digitais, a despeito da quantidade de títulos violentos, sexistas e racistas existentes. Os games combinam eventos programados (que, para dar continuidade ao processo em curso, dependem de como o interator atua) com características das narrativas audiovisuais próximas do cinema, considerado por muitos uma das principais manifestações culturais do século XX.

Lassi Tassajärvi é um dos entuasiastas do formato, e de seus derivados. Ele acompanhou, como curador, o desenvolvimento da cena demo, “um movimento de arte em que hackers e crackers produzem em tempo real”. No site de apresentação do livro Demoscene. The art of real time (http://www.demoscenebook.com/books/), a cena é descrita como um (dentre os vários) fenômenos interessantes que surgem na cultura contemporânea, cada vez mais marcada pela multiplicação de mídias e circuitos que as redes estimulam.


 A Deepness in the Sky: demoscene criada em 2002 por MFX

Sem descartar o possível entusiasmo típico dos livros monográficos sobre temas específicos, vale registrar que vários dos envolvidos no movimento dedicado à distribuição de trabalhos audiovisuais por meio de disquete e modem, descrito em Demoscene, desempenharam papéis importantes no desenvolvimento da cultura digital nórdica. A cultura digital, como se sabe, é marcada pela multplicidade de manifestações e pela ausência de um centro irradiador que define tendências e regula a circulação de conteúdos (no que se difere do modelo broadcast, ainda que esteja regulada por outros protocolos). É justamente esta cultura do compartilhamento entre pares que torna-se o centro do trabalho mais recente de Tassajärvi.

Mas, antes de chegar nas comunidades para distribuição de conteúdo que ele desenvolve atualmente, vale a pena conhecer um pouco mais do seu percurso. Com formação em artes visuais, mas também em filosofia e negócios, Tassajärvi dedica-se por um tempo ao design, ao vídeo è a arte em mídia, até criar a Katastro.fi, organização independente que existe desde a primavera de 1998.

O acervo da Katastro.fi combina música e trabalhos ligados à Demoscene, a comunidade permite o download de arquivos dos mais diversos tipos, com amostra de artistas em sua maioria finlandeses. Entre eles, a eletrônica melódica do Aisth e o demoshow Codename Chinadoll.


Codename Chinadoll: um dos trabalhos mais conhecidos de Tassajärvi,
foi apresentado como instlação em Barcelona, durante o Sonar de 2002.

Outra vertente do trabalho de Tassajärvi são as instalações. Entre elas, estão Katastro.fi Area, realizada no festival Finlandês Artgenda 2000, que pode ser manipulada por SMS e WAP. E uma versão de Codename Chinadoll criada em 2002, para o festival Sonar, de Barcelona. Neste período, Lassi dedica-se também à revista online xxx.katastro.fi.
Em 2003, produz a exposição Demoscene. A curadoria reúne, no Museu Kiasma, uma série de trabalhos criados a partir do universo dos jogos e de computadores antigos, como o Commodore 64. Vários deles estão disponíveis online, mas é preciso um pouco de paciência e vários emuladores e programas pouco comuns para dar conta de rodá-los em computadores mais recentes.

A partir de 2004, Tassajärvi dedica-se ao desenvolvimento de comunidades online para distribuição de conteúdo audiovisual, que é o centro de sua atividade atual. Neste ano, surge o projeto da Pixoff.tv. Tassajärvi cria o piloto de um programa para canal digital de TV, que serve como ponto-de-partida para uma série de experiências posteriores.

A solução adotada é o uso da internet (e, posteriormente aparelhos móveis como o celular) para distribuir audiovisual. A solução parece bastante promissora. Conforme aumenta a largura de banda nas redes digitais, e as mídias móveis tornam-se cada vez mais próximas de pequenas estações para a produção audiovisual, o modelo baseado na circulação de conteúdo por plataformas distribuídas mostra-se mais versátil que o modelo que aposta em turbinar com recursos interativos os aparelhos de TV tradicionais.


 

Indica: projeto de canal de TV para celular, que planeja usar tecnologia IP Datacasting para transmissão deconteúdo broadcast para mídias móveis.


Uma das manifestações típicas, neste contexto, é a dos filmes de microcinema. Tassajärvi dedica-se a curadoria de filmes para mídias móveis de 2000 a 2005, quando trabalha como consultor de vários serviços de distribuição, como o indica.tv, o wap sonera (http://wap.sonera.fi) e o canal de microcinema da Nokia finlandesa. Sua experiência é relatada em alguns artigos sobre o tema, como Classificação dos Filmes de Microcinema para Mídias Móveis, (link para o artigo Classificação dos Filmes de Microcinema para Mídias Móveis), traduzido para o Português para a revista Arte.mov.

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