Mapeamento de algumas regiões onde cruzam-se arte e geografia
Este ano o tema do Vivo arte.mov será Geografias Imaginárias. Um dos aspectos mais contundentes do redesenho que as redes operam no espaço é a fratura dos territórios, que relativiza as fronteiras físicas ao tecer sobre elas malhas imateriais. O texto a seguir explora aspectos do trabalhos de artistas e pensadores que operam na esfera destas fraturas do espaço, ao mesmo tempo que busca reunir alguns elementos (esparsos) para entender o estatuto da geografia na contemporaneidade. Mapa incompleto que percorre os domínios da linguagem sob a égide de espaços, campos e territórios, mais que as regiões onde acontecem os estudos geográficos propriamente dito.
No texto
Geografia Experimental, incluído no catálogo da exposição de mesmo nome, Trevor Paglen conta uma história curiosa. Em 1948, a Universidade Harvard fechou seu Departamento de Geografia. Era comum, na época, que a disciplina fosse considerada superficial, em função da “falta sistemática de metodologia e normas discursivas”. Paglen explica que, na época, a “cúpula acadêmica 'via o campo como desesperançosamente amorfo'”. Ironia que ele mesmo aponta: “esta 'deformidade sem esperança' é, de fato, a grande força da disciplina”.
Isso fica claro hoje em dia tanto em função da pluralidade de temas que os estudos da geografia abrangem quanto por sua metodologia, multidisciplinar
avant la lettre. O pluralismo metodológico é resultado da forma como a Geografia vai constituindo seu campo tomando emprestado conceitos de outras áreas. Segundo Hérodete, em entrevista com Michel Foucault publicada no livro
Microfísica do Poder, “o discurso geográfico produz poucos conceitos e os extrai de tudo que é lugar”. Um exemplo que ele mesmo usa: “Paisagem é uma noção pictórica, mas é um objeto essencial da geografia tradicional”.
Ainda conforme Paglen, conceitos como espaço, território, campo, solo e região, entre outros, são centrais para a Geografia mas vieram de outras áreas. Aliás, deslocamento é outro conceito comum na Geografia, tanto no sentido desta transferir noções de outras áreas quanto no sentido de que a Geografia estuda movimentos dos mais diversos tipos: tecnônicos, geológicos, climáticos, populacionais.
O interesse atual na Geografia não é fruto desta diversidade metodológica, nem de sua versatilidade. A curiosidade sobre a área cresce com a popularidade de programas como o
Google Earth e a transformação do GPS em item comum no pacote padrão dos telefones celulares mais recentes (que o torna item de consumo de um público amplo, e não necessariamente disposto a consumir sistemas de informação geográfica fora de um contexto em que eles estejam embutidos num conjunto que também abrange outros serviços).
Talvez o fenômeno seja similar à forma como os instrumentos de análise geográfica foram se constituindo. Da mesma forma que a Geografia constrói seu repertório ao desloca conceitos periféricos em outras disciplinas para o centro de seu território múltiplo, o uso de tecnologias de geolocalização e cartografia em práticas cotidianas desloca-se do âmbito distante dos especialistas para o espectro mais próximo do consumidor.
Um aspecto sintomático deste "vazamento" da Geografia é a existência de exposições recentes voltadas para trabalhos de artistas que exploram intersecções possíveis entre Arte e Geografia. O próprio Trevor Paglen foi curador, com Nato Thompson, de uma das boas exposições organizadas dentro desta perspectiva.
Experimental Geography reuniu trabalhos de artistas e grupos como
kanarinka,
The Center of Land Use and Interpretation (CLUI), Yin Xiuzhen e
Multiplicity, entre outros.
Conforme o texto de apresentação escrito por Paglen e Thompson, nas “mãos de artistas contemporâneos, o estudo do engajamento das humanidades com a superfície da terra torna-se um enigma melhor resolvido de forma experimental”.
Um dos trabalhos incluídos em
Experimental Geography é
It takes 154,000 breaths to evacuate Boston. Desenvolvido por Chaterine D´Ignazio (a kanarinka do parágrafo anterior, criadora do
Instituto das Coisas Infinitesalmente Pequenas),
154,000 breaths combina performance em espaço público, um
podcast que transmite sua respiração e uma escultura que arquivo em potes de vidro o ar respirado pela artista. Vale conferir o vídeo no
YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=BUhpHOFVhbA.
Para realizar
It takes 1540,000 breaths to evacuate Boston, a aritsta “correu toda a rota do sistema de evacuação em Boston e tentou medir a distância em termos de respiração humana”. O projeto busca “aferir nosso medo coletivo posterior ao 11 de setembro pela respiração individual necessária para cruzar estas novas geografias da insegurança”. Maratona em tempos de catástrofes, no contexto de um Estados Unidos que (apesar de Obama) ainda não apagou o trauma dos atentados contra o
World Trade Center (a não ser nos filmes de Hollywood), nem recuperaram o fôlego perdido em catástrofes naturais como o Katrina.
O ar depois de circular pelo pulmão, mesmo: esculturas de kanarinka são parte do projeto em que a artista mede quantas respirações alguém faria em caso de fugir correndo da cidade de Boston.
Também em
Experimental Geography, a série
Portable Cities, de Yin Xiuzhen, é composta de malas com miniaturas de cidades visitadas pela artista. Ela reconstrói a arquiteturas de metrópoles complexas por meio de parâmetros subjetivos e memórias pessoais. Por exemplo: quando foi para Seoul, sentiu ao chegar um mal estar e enjôos, que atribuiu ao
jet lag e o cansaço (descobriu durante a estadia que estava grávida). Usou estas sensações ao construir sua miniatura da cidade. Por isso, as malas que cria nem sempre são réplicas exatas das cidades, mas visões da artista sobre estes lugares.
Conforme o texto de Aimee Chang no site da exposição
How latitudes become forms, realizada no
Walker Art Center, a urbanização “é uma parte seminal da vida cotidiana de Yin e, com freqüência, um ponto focal de seu trabalho”. É o caso de Beijing (1999), em que “ela reconfigura o telhado de uma casa tradicional em Beijing e a cobre com telhas e fotografias de vizinhanças destruídas por causa do desenvolvimento corporativo voraz”. Chang explica, estas "séries de malas — modelos de várias cidades em velhas valises feitas de roupas usadas de seus moradores — são, nas palavras da artista, 'um símbolo tangível do espírito movente do contemporâneo". Xiuzhen diz que "as pessoas em nossa contemporaneidade deixaram de residir em ambientes estáticos para se tornar almas em constante câmbio transiente". Logo, "a mala se torna um objeto de suporte da vida moderna... o portador da construção continua da entidade humana".
How latitudes become forms: para Aimee Change, Portable Cities “abraça noções de memória, qualquer se seja sua forma. Em seu trabalho, a memória se torna uma ferramenta critica que a permite discutir e examinar o político, o social, o histórico, o ambiental, e construtos humanos que a cercam”
A exposição também inclui a agência de pesquisa territorial
Multiplicity. Entre seus projetos mais conhecidas estão
Border Device(s) e
USE (Uncertain States of Europe). O primeiro parte da constatação de que “nossa vidas são marcadas por uma sucessão de distintivos, senhas, códigos de entrada e identificação”, para afirmar que estes “limites são a outra face da globalização, enquadrando o fluxo de indivíduos, bens e informação pelo mundo”. O projeto reúne os dispositivos de fronteira em 6 categorias como “funis”, “canos”, “dobras”, “esponjas” e “clausuras” que resultam em uma complexa matriz de fronteiras, apresentada visualmente em séries que ilustram os tipos de dispositivo de fonteira propostas através de vários acontecimentos ao redor do mundo.
Clausura: uma das séries que faz parte de Border Device(s), mapeamento de dispositivos de fonteira feito pelo Multiplicity.
USE (Uncertain States of Europe) é um projeto de pesquisa coletivo, em desenvolvimento, que lida com as transformações territoriais na Europa contemporânea. Tomando estas mudanças como “reflexos dos processos de globalização”, USE é “dedicado a enfrentar a questão da incerteza”, ao confrontar “os desvios constantes de identidade geopolítica, econômica e territorial com a atual incapacidade e falta de ferramentas para observar e representar as dinâmicas que estão desenhando sua geografia política e econômica”.
Outro projeto que reúne trabalhos relevantes para entender as relações entre arte e geografia é o conjunto livro e exposição
An Atlas of Radical Cartography. Editado por Lize Mongel e Alexis Bhagat, “é uma coleção de 10 mapas e 10 ensaios sobre temas sociais, de globalização a lixo; de vigilância à rendição extraordinária; de falta de posses à rendição extraordinária; de deportação à migração”. Mongel e Bhagat consideram o mapa como “inerentemente político”, motivo pela qual as contribuições que eles selecionaram para o livro “fornecem um fundamento crítico para uma área que faz pontes entre arte/design, cartografia/geografia, e ativismo”.
Entre os trabalhos incluídos, está o conhecido
Site-R, produzido no contexto do projeto
iSee. Desenvolvido pelo
Institute for Applied Autonomy é um sistema que permite traçar rotas pela cidade de Nova Iorque, para ir de um lugar ao outro evitando passar, sempre que possível, diante de câmeras de vigilância. O IAA liga a cartografia às práticas de mídia tática, “estendo estas noções à representação espacial” no que eles chamam de “cartografia tática”, conceito que se “refere à criação, distribuição, e uso de dados espaciais para interferir em sistemas de controle que afetam o sentidos e as práticas do espaço”.
Imagem de parte de um percurso criado no Site-R, do Institute for Applied Autonomy: “resumidamente, as cartografias táticas não são apenas sobre política e poder; elas são máquinas políticas que atuam sobre relações de poder”
iSee é criado a partir da premissa de que "os últimos anos viram um aumento dramático na vigilância do espaço público com sistemas fechados de TV". O texto de apresentação do projeto alerta para um fato recente: "Câmeras de vídeo que nos flagram das laterais de prédios, de máquinas de venda automática, de luzes de trânsito, capturando todos os movimentos para observação por delegacias de polícia e guardas de segurança privados que muitas vezes agem com pouca visão pública ou legislativa. Enquanto a eficiência destes dispositivos na redução do crime é duvidosa, casos recentes de mal uso por autoridades públicas e privadas servem para questionar quanto é apropriado o monitoramento por vídeo do espaço público". O site de
iSee trás também uma lista de pessoas que o IAA acredita que "deveriam legitimamente querer evitar ter sua foto tirada por observadores invisíveis": minorias, mulheres, jovens, "outsiders", ativistas e "todo mundo".
Outro trabalho incluído em
An Atlas of Radical Cartography é
Guias de Ruta, de Pedro Lasch. Simples e provocador, é um mapa das Américas em que os países não tem fronteiras. Impresso em vermelho com textura que remete a litografia, mas também aos lambe-lambes, o mapa estampa apenas duas palavras sobre sua superfície de aparência gasta. Ao norte, em letras grandes, lê-se a palavra “Latino/a”. Ao sul, lê-se a palavra “America”. A inversão é tida por Lasch como uma metáfora da dificuldade de definir a latinidade, que ele considera uma qualidade difusa, que contina todo o continente a despeito de suas divisões políticas e econômicas. Além disso, é um procedimento que ironiza a mania dos Estados Unidos de se denomirem “América”, que faz lembrar o célebre diálogo no filme “Elogio ao Amor”, de Jean-Luc Godard. Um dos personagens, vindo dos Estados Unidos para a França, se apresenta como “americano”. O outro retruca: “americano da onde?”.
O coletivo
AnArchitktur contribui para o atlas de cartografia radical com uma série de mapas sobre um tema polêmico.Ele revela um paradoxo, ao mapear os campos de forasteiros usados na União Européia para abrigar vítimas de extradição. Entre os mapas reunidos, está
Death at Europe Frontiers, elaborado por Olivier Clochard e Philippe Rekacewicz. Segundo informação publicada no We-make-money-not-art, “apenas mortes documentadas são levadas em consideração mas seus números vão muito acima de 7.000 mortes entre 1993 e 2006 (3.000 de Dezembro de 2003 a 2006)”. Por isso, Regine Dèbatty considera que este “mapa mostra que o perigo não cessa quando se cruza um fronteira. Uma vez dentro União Européia, migrantes devem enfrentar ataques racistas, condições de trabalhos inseguros para ilegais, repressão policial, campos de internação, etc.”
A mesma preocupação com o tratamento dados aos imigrantes na Europa está por trás do livro
Fadait, um "documento constituinte da fase inicial do projeto de observação tecnológica" do estreito de Gibraltar proposto por grupos como o
Indymedia Gibraltar e o
Hackitetura.net. Um trecho de um dos artigos do livro, "Confines, migraciones, ciudadanía", de Sandro Mezzandra, resume o debate proposto: "minha convicção é que os movimentos migratórios contemporâneos permitem confirmar a tese que acabamos de levantar, mostrando a intensidade das tensões e conflitos deste movimento duplo de decomposição e recomposição dos confins. Mesmo que sem esquecer os elementos de continuidade entre os movimentos migratórios dos últimos anos e as migrações de um século atrás, é necessário acentuar os indiscutíveis elementos de novidade: multiplicação dos modelos migratórios, forte aceleração dos fluxos, aumento de complexidade de sua composição (por exemplo, com forte aumento da participação feminina) e crescente imprevisibilidade de suas direções.
Fadait: livro reflete sobre as experiências desenvolvidas por uma série de coletivos a partir do mote "Liberdad de Movimiento-Liberdad de Conocimiento". O PDF licenciado em Creative Commons está disponível para download em http://straddle3.net/media/print/0609_fadaiat_book_visiorama_s.pdf.
Além de discutir as diferenças entre os processo migratórios de ontem e hoje, o projeto atua com práticas ativistas. Uma das ações realizadas foi organizar com auxílio de redes sem-fio comunitárias expedições para ajudar migrantes saídos da África a entrarem com segurança na Europa. É um tipo de uso das tecnologias em rede que tem se tornado bastante comum. Outro exemplo é o projeto
Transborder Immigrant Tool, desenvolvido por Brett Staulbaum e Ricardo Dominguez. Considerando que a "fronteira entre EUA e México se moveu entre virtual e muito real desde antes do nascimento dos dois estados-nação", a dupla lembra que isto "permitiu um arquivo profundo de movimentos suspeitos por esta fronteira". Constituído em sua maioria de imigrantes que se deslocam no sentido sul-norte, trata-se de acerto que retrata o "perigo de mover ao norte através desta fronteira", o que Stalbaum e Dominguez consideram uma questão de "geografia vertiginosa".
Para evitar que "centenas de pessoas" continuem morrendo ao cruzar a fronteira EUA / México "por conta de não serem capazes de dizer onde eles estão em relação à onde estiveram e para qual rota eles precisam seguir para atingir seu destino com segurança" ou por ignorar os locais onde há grande perigo de ataque por milícias privadas contratadas por fazendeiros locais para atirar nos imigrantes. A solução proposta pelos criados da
Transborder Immigrant Tool é fazer o mapeamento da região e alimentar com dados celulares especialmente criados para ajudar os imigrantes. A ferramente "adicionaria uma nova camada de agenciamente a esta geografia virtual emergente que permitiria a segmentos da sociedade global que estão geralmente fora desta grade emergente de hiper-geo-poder-de-mapeamento ganhar acesso rápido e simples a sistemas GPS".
Como fica claro a partir dos exemplos apresentados até aqui, há uma diversidade de artistas que trabalham nesta intersecção entre arte e geografia. É possível reuní-los em pelo menos duas abordagens mais comuns. A primeira, predominante, vale-se de sistemas de informação geográfica e técnicas de mapeamento para produzir cartografias dos mais diversos tipos. São trabalhos que exploram desde fenômenos macro, como práticas migratórias (movimentos geológicos, taxas de poluentes no ar e padrões de vôo) a fenômenos micro (a vida de organismos subterrâneos, a topologia de lugares específicos ou tipos particulares de circulação).
Talvez um dos exemplos mais típicos seja o
Center for Land Use and Interpretation, conhecido pela sigla CLUI. Trata-se de uma organização de pesquisa cujo foco é explorar, investigar e entender questões sobre o solo e a paisagem. O CLUI “emprega uma variedade de métodos para perseguir sua missão — se engajando em pesquisa, classificação, extrapolação, e exposições”. Sediado na California por bastante tempo, o CLUI esteve envolvido numa diversidade de projetos, sempre com capacidade de manter atualizado em relação aos desdobramentos da área em que atua.
Um dos resultados mais importantes da atuação do CLUI é o Interpretation's Land Use Database, “uma coleção de lugares incomuns e exemplares através dos Estados Unidos”, Composto de arquivos, fotografias, e outros materiais reunidos na sede do CLUI em Los Angeles, pode ser acessado por visitantes em um computador no local. Uma amostra das mais de mil entradas está disponível na Internet. O endereço é
http://ludb.clui.org/.
Unidade para Exposições Móveis: trailers e prédios manufaturados que podem ser deslocados para abrigar exposições temporárias
Enveredando por um caminho diferente, Agnes Meyer-Brandis explora os subterrâneos do planeta, em abordagem desconcertante e poética. Onde se espera a exatidão dos mapeamentos e a abrangência das imagens aéreas, Meyer-Brandis oferece o desembaraço dos indícios e a pontualidade da observação indireta. Em tempos em que a ciência pretende-se fundar nas especulações seguras das sínteses e modelos, seus projetos se voltam para mistérios amplos e insondáveis, que explicam mais sobre o mundo a partir do que há de imponderável em seus métodos (humanos, demasiadamente humanos) do que pela tangibilidade de seus resultados.
Com o SGM-Probe [Subglacialis Montometer], é possível estudar formas de vida e ecossistemas subterrâneos diretamente em seu ambiente natural.
Em
SGM-Iceberg-Probe [SubGlacialis Montometer], a artista combina de forma sofisticada tecnologias e equipamentos, construindo um sistema de localização que permite pesquisar icebergs subterrâneos e buscar atividades através de suas estratificações. O projeto propõe uma interface sensível entre o mundo terrestre e as paisagens invisíveis contidas no interior de sua crosta. É uma proposta provocadora, na medida em que coloca em xeque (de forma sutil) o impulso de visibilidade comum quando se fala em arte e geografia.
Em
Earth-Core-Laboratory and Elf-scan, o procedimento se multiplica. O trabalho não cruza apenas a fronteira entre mundo terrestre e subterrâneo, mas também ultrapassa a linha que divide ficção e realidade. O aparelho permite usos considerados científicos, como a observação de ruídos subterrâneos em solo vulcânico. Mas também possibilita observar fenômenos mitológicos, como procurar elfos e outras formas de vida conhecidas apenas por quem se dispõe a fazer viagens rumo ao centro da terra.
Tantas formas de mapeamento e cruzamentos entre arte e geografia podem indicar uma curiosidade extrema com o mundo, mas também a necessidade de encontrar formas de navegar por uma época cuja complexidade escapa pelas frestas das tentativas de entendimento disponíveis. No prefácio de
An Atlas of Radical Cartography, Lize Mongel e e Alexis Bhagat afirmam que "estes novos entendimentos do mundo são pré-requisitos para a mudança". Resta saber se este início de século com planeta em crise já mudou deixando no ar o desejo de comprender o significado do que ficou diferente, ou se a poeira espalhada pelo ar cada vez mais congestionado com ondas de todos os tipos vai baixar em paragens nunca antes imaginadas.