Revista
_ 05/11/07
_ preemptive media


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Contra a vigilância embalada para consumo e práticas nocivas ao meio-ambiente


O Preemptive Media é um grupo conhecido por aproximar arte e ativismo, em projetos que estimulam a consciência crítica para problemas contemporâneos. O grupo preparou especialmente para a segunda edição do TC arte.mov uma versão para Belo Horizonte do projeto AIR, que faz medições da poluição atmosférica em caminhadas com dispositivos criados para colher dados sobre o ar que ficam posteriormente arquivados na Internet.


CLIQUE PARA VISITAR A VERSÃO EM PORTUGUÊS DE AIR


Depois de 11 de Setembro de 2001, os Estados Unidos consolidaram uma virada conservadora que talvez remonte (exceto intervalos breves) à era Reagan. Neste contexto, se anula a contestação que emerge após os protestos de rua em Seatlle, durante a rodada de negociações N30 em 1999. E voltam à tona formas de ativismo menos ligadas ao contexto político mais amplo, mais próximos de debates que podem ser entedidos pelo prisma da micropolítica, como a vigilância e o controle.

Em bate-papo online, realizado em 3 de janeiro de 2007, como parte dos debates LEAD, Brett Stalbaum, Patrick Lichty e outros apontam um contexto de convergência entre arte e política que faz emergir vários tipos de coletivos dedicados aos mais diversos formatos de atuação. O Preemptive Media pode ser inserido neste contexto, com projetos que problematizam a forma como as câmeras portáteis permitem o registro de imagens ou questionam as formas de vigilância embaladas para consumo que surgem com o uso disseminado de tecnologias AIDC e, mais recentemente, RFID. Outro viés que o grupo explora é a da conscientização sobre práticas nocivas ao meio-ambiente.

Moport, o projeto mais antigo do grupo, explora um contexto em que telefones celulares com câmeras fotográficas geram imagens que dificilmente seria feitas de outra forma. Mas, ao invés de tratar a questão do âmbito do privado, o projeto explora sua face pública, que nos Estados Unidos revelou sua amplitude com a circulação de fotos de tortura na prisão de Abu Graib que obrigaram o governo do país a se manifestar publicamente sobre o tema.

Está arquivado no site do projeto a ação realizada durante a convenção do Partido Republicano entre 29 de agosto de 2 de setembro de 2002, com cena de protestos, contra-protestos, a ação policial e outras. Organizado em forma de calendário, o projeto remete ao universo dos blogs e às formas como ele redesenha a circulação de informações. Além disso, o site do projeto aponta para trechos da cobertura jornalística do evento, o que permite estabelecer um contraponto entre as informações que publica e o que a imprensa circulou.



Uma das imagens publicadas no arquivo de Moport, que pode ser acessado a partir de palavras-chave como “slogans”, “polícia” e “protestos”. O enderço desta imagem é http://www.moport.org/image_detail_rnc.php?imagenum=381

Swipe discute o fenômeno do acúmulo de dados sobre uma pessoa que tem sua carteira de motorista constantemente escaneada. O procedimento é uma forma de coleta de dados comum nos Estados Unidos. Bares e lojas de conveniência foram os primeiros a verificar a idade de seus clientes por meio da “varredura” de carteira de motorista. Esses estabelecimentos admitem ter alcançado grandes benefícios com a prática, além de detectar a existência de menores portadores de carteiras de identidade falsas que os permitia consumir bebidas alcoólicas e cigarros.

Mas o lado menos evidente deste procedimento não é explícito. Trata-se do acúmulo de informações sobre as pessoas, que podem gerar bancos-de-dados posteriormente usados contra seus interesses. Neste sentido, o objetivo de Swipe é alertar a sociedade e estimular o aumento de consciência crítica sobre atividades cotidianas que muitas vezes ocultam formas de vigilância e controle.



Swipe é divido em três etapas, uma performance, uma oficina e um site: na performance, enquanto o visistante de um bar compra bebidas alcoólicas, suas informações são escaneadas e ao pagar pelo que consumiu ele pega um recibo com registro de suas informações pessoais extraídas da carteira de motorista e da Internet.

Zapped! discute, por meio de uma nova abordagem, os usos das etiquetas RFID. O RFID ainda não se tornou uma utilidade doméstica ou uma tecnologia difundida, mas o Preemptive Media prevê que o contato diário com essa tecnologia (conhecida ou não) será comum em breve. Zapped! representa um esforço para debater as demandas da indústria por formas de rastreamento de produtos, do governo para o controle de fronteiras, das escolas para o controle de presença, e  das bibliotecas públicas para verificação de saída. Zapped! está em constante mudança, por se basear na necessidade do cliente e no desenvolvimento da indústria do RFID.  O Preemptive Media não está encorajando paranóias com o projeto, e sim participação ativa e a preparação para lidar de forma consciente com este tipo de tecnologia.


Workshop realizado pelo Preemptive Media no Eyebeam, em Nova Iorque, problematiza o uso de etiquetas RFID por empresas como o Wal-Mart e setores do governo como o Departamento de Defesa do EUA.

O projeto mais recente do Preemptive Media é AIR. Trata-se de um experimento público e social em que as pessoas são convidadas a usar dispositivos de monitoramento de transmissão portátil criados pelo grupo para explorar ambientes urbanos em busca de locais onde há muita poluição e queima de combustíveis fósseis. Os participantes, ou “mensageiros”, detectam níveis de poluentes com o auxílio de uma unidade GPS e uma bússola digital. Um banco de dados de fontes poluidoras conhecidas (usinas de energia elétrica, indústrias pesadas) permite aos mensageiros ver a que distância estão dos poluentes. Os dispositivos AR regularmente transmitem dados para um banco de dados, para serem exibidos em tempo real no site do projeto.

AIR funciona como ferramenta para indivíduos e grupos para a identificação de fontes de poluição, e como plataforma para discutir políticas de energia e seu impacto sobre meio-ambiente, saúde e grupos sociais em regiões específicas. No TC arte.mov, o Preemptive Media faz caminhadas públicas em bairros e áreas comerciais de Belo Horizonte. Os participantes podem visualizar os níveis de poluição da cidade, e salvam automaticamente informações mais tarde transferidas para a Internet e sobrepostas a um mapa que será exibido em instalação criada especialmente para a ocasião.



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